Ao longo da sua história, o cinema português tem sido moldado por muitas vozes e olhares. Outrora desvalorizado nas narrativas históricas, o papel das mulheres atrás ou à frente das câmaras assumiu-se amiúde como pilar de resistência em diferentes profissões no cinema e o catálogo do PNC tem procurado dar visibilidade a essa presença. Neste ano, a partir do streaming do PNC, chamamos a atenção para algumas presenças vibrantes nesta história!
Enquanto protagonistas ou atrizes, é inegável a contribuição das mulheres em produções de prestígio nacional e internacional que podem ser vistas no streaming do PNC: de uma geração mais antiga, Isabel de Castro, em Uma Pedra no Bolso, de Joaquim Pinto, ou Sophia de Mello Breyner Andresen, protagonista da curta-metragem documental com o seu nome, da autoria de João César Monteiro; depois, Maria de Medeiros, pilar maior na internacionalização do talento português, realizadora e atriz em Capitães de Abril e atriz em Viagem a Portugal, de Sérgio Tréfaut, ou Inês de Medeiros, intérprete constante em trabalhos de autores de referência no cinema português, como é o caso do já citado Uma Pedra no Bolso, de Joaquim Pinto. De uma geração mais recente, destacamos ainda outros dois nomes de atrizes com créditos firmados: Rita Durão, que, em 2000, foi nomeada uma das shooting stars do cinema europeu pela European Film Promotion, com a sua participação em Capitães de Abril, e Paula Lobo Antunes, que revela uma assinalável versatilidade dramática em Monte Clérigo, de Luís Campos.
Tendo em conta a criatividade na seleção de temáticas abordadas e a afirmação de filmografias sólidas e internacionalmente reconhecidas, o catálogo do PNC tem vindo a realçar o papel e presença das mulheres atrás das câmaras: o de Regina Guimarães, voz multifacetada na cultura portuguesa, que escreveu o argumento da curta-metragem Percebes, em colaboração com as autoras; o de Regina Pessoa, presença internacionalmente reconhecida e assídua nas atividades do PNC, autora da belíssima curta-metragem Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias; o de Susana de Sousa Dias, que, em 48, transforma o cinema documental num instrumento de resistência histórica e política; o de Cláudia Varejão, que, em Lobo e Cão cruza elementos documentais e ficcionais, para para dar visibilidade a comunidades e afetos muitas vezes invisíveis; e o de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, uma dupla criativa que, em Percebes, através de uma estética inovadora, liga o documentário à animação autoral, explorando identidade(s) e memória(s) de um espaço particular no território português: o Algarve.
Com este 2.º ciclo de cinema dedicado às mulheres, o PNC propõe uma reflexão crítica que se espraia em três direções: a participação, a autoria e representação feminina no cinema, através de nomes de diferentes gerações de mulheres cujo trabalho redesenhou e continua a redesenhar criativamente o cinema português.
Todos os filmes propostos neste ciclo estão disponíveis para visulização na plataforma de streaming do PNC.
